O Papa fala sobre a sobrevivência diante do luto

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Na catequese de hoje, 17, em frente a 25 mil fiéis na Praça de São Pedro, o Papa Francisco, seguindo a sua série de catequeses sobre a família, falou da angustiante experiência de luto. Para o Sumo Pontífice, a fé e o poder do amor são capazes de impedir que a morte torne vão nosso sofrimento e não nos permita cair no mais escuro vazio. Ele também convidou os sacerdotes a não negar a experiência de chorar, mas para dar o testemunho às famílias de que a morte não tem a última palavra.

Baseando-se na perícope do Evangelho de Lucas, onde se apresenta a “viúva de Naim”, o Papa falou sobre a compaixão de Jesus, movido pela tristeza de uma viúva que perdeu seu único filho. Jesus é impulsionado pelo amor e ressuscita o jovem. É nesta direção que o Santo Padre dirige a sua reflexão falando sobre a experiência da morte, que afeta todas as famílias, mas “nunca é capaz de parecer natural”.

Para o Papa Francisco, é devastadora a experiência de um pai ou de uma mãe que perde um filho.

“Para os pais, sobreviver, tendo perdido um filho, é algo particularmente dilacerante, que contradiz a natureza fundamental das relações que dão sentido à família. A perda de um filho ou uma filha é como um buraco no tempo: abre um abismo que engole o passado e também o futuro. Quando a morte tira o filho pequeno ou jovem, é como um tapa nas promessas, nos dons e sacrifícios de amor que alegremente fizemos nascer.” O Santo Padre reconhece, também, que essa experiência é tão dolorosa que toda a família fica paralisada. O mesmo acontece para o menor que fica órfão e, com sofrimento, se pergunta quando voltará seu pai ou sua mãe.

Para o Sumo Pontífice a morte é como um buraco negro que se abre na vida das famílias e a que não podemos dar nenhuma explicação. E, por vezes, acaba-se culpando ou negando o próprio Deus pela dolorosa experiência. “Eu os entendo”, disse o Papa, reconhecendo que se trata de uma grande dor.

E, prosseguindo a sua explicação, o Santo Padre disse que a morte física tem “cúmplices”, que chegam a ser piores do que ela, como o ódio, a inveja, a soberba e a avareza. O pecado faz com que esta realidade seja ainda mais dolorosa e injusta.

“Pensemos na absurda ‘normalidade’ com a qual, em certos momentos e lugares, os eventos que acrescentam horror à morte são provocados pelo ódio e pela indiferença de outros seres humanos. O Senhor nos liberte de nos acostumarmo-nos com isso!”

Francisco diz que Jesus nos ensina a não temer a morte, mas vivenciá-la de forma humana, pois Ele mesmo chorou e ficou conturbado ao presenciar o luto de uma família querida. A esperança nasce das palavras de Cristo à viúva que perdeu seu filho: “Jesus o restituiu à sua mãe”. “Esta é a nossa esperança, que o Senhor nos restituirá todos os nossos caros”, disse o Papa.

Se nos deixarmos amparar por esta fé, a experiência do luto pode gerar uma solidariedade mais forte pelos elos familiares, uma nova fraternidade com as famílias que nascem e renascem na esperança. Esta fé nos protege seja do niilismo, seja das falsas consolações supersticiosas, e nos confirma que a morte não tem a última palavra.

Nordeste1

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