Finados: Líderes religiosos de Guarabira comentam importância do dia

O Dia de Finados é comemorado em 2 de novembro pelas mais variadas tradições religiosas, como o Catolicismo e o Candomblé, com exceção de algumas denominações evangélicas. Ouvimos três das principais vertentes religiosas de Guarabira para explicar como o dia é celebrado.

Tradição Candomblé

Mãe Mara, do Ilê Axé Oxum Opará, seguem a tradição do
 Finados como uma devoção em respeito aos mortos.

A Babalorixá Mãe Mara, do Ilê Axé Oxum Opará, seguem a tradição do Finados como uma devoção em respeito aos mortos, para ela, “é um momento de relembrar com saudades dos que se foram.”

“O Candomblé guarda o luto por aqueles que partiram. Nesse período o “Terreiro” fica fechado em sinal de luto, nesse período não trabalhamos, não se consome bebida alcoólica e não participamos de nenhuma festa, nos resguardamos como símbolo da saudade,” disse. Eles resguardam o dia 1 e 2 de novembro, voltando à vida normal a partir do dia 3 de novembro.

Este significado vem postular à essência da tradição do Candomblé. “Todos os filhos da Babalorixá, (os filhos de Santo), devem também referenciar o luto, não como uma volta ao tempo, porque isso só pertence a Deus,” completou.

“A morte é como um complemento da vida, uma forma sublime de nos encontrarmos com Deus. Tudo nesse mundo é passageiro, a única que coisa fica em nossa essência é manter a pureza de nossa fé. Somos uma nação que aprendeu a amar muito cedo: a natureza, os animais, os irmãos. Lutamos contra as injustiças porque em nossa história fomos muito brutalizados. Lutamos contra o preconceito, porque entendemos que somos todos iguais, sem distinção de preto ou branco, de homem ou mulher. Precisamos entender que fazemos parte de um mundo único, não existe dois planetas Terra. O amor é a base de todo o processo de compreensão entre Vida e Morte,” declarou a Babalorixá.

O Ilê de Mãe Mara, como é mais conhecido, fica na Vila Padre Cícero, distrito de Guarabira, e tem como principais Orixás: Oxum, Iançã e Xangô.

Tradição Evangélica

O pastor Jarlan foi enfático quando disse que os
 Adventistas não acreditam na vida após a morte

Para o pastor Jarlan Reis da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Guarabira, toda a tradição se reporta à Bíblia em Gênesis Cap. 2, Versículo 7, que diz: “Então formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e lhes soprou nas narinas o fôlego de vida e o homem passou a “SER.” Em sua explicação, o Pastor mostrou que dentro da tradição Bíblica “você é uma alma, você não tem uma alma.” Referindo-se a cada ser vivo.

Ele foi enfático quando disse que os Adventistas não acreditam na vida após a morte, acreditam no que diz a Bíblia. “Não acreditamos em Finados porque os mortos estão mortos. Mas atribuímos respeitos a quem acredita. Todavia, “a Bíblia nos diz que deveríamos dar uma flor a alguém que estar com vida”, ponderou.

Tradição Católica

O Finados celebra o Mistério Pascal de Cristo
 daqueles que morreram.

Para o padre Adauto Tavares, pároco da Catedral Nossa Senhora da Luz, em Guarabira, o Finados celebra o Mistério Pascal de Cristo daqueles que morreram, porque a ressurreição é para aqueles que morrem com Ele (Com Deus).

“Estamos preocupados em mostrar o lado da fé. A igreja se concentra na fé. Deus é nosso destino, lembrando dos que viveram,” disse padre Adauto. Para tanto, fez menção a Santos e Santas da Igreja, como Santa Terezinha e sua famosa frase escrita antes de morrer “Eu não morro, eu entro na Vida.” São Francisco de Assis e Santo Agostinho, para quem a morte não era um fim.

No processo histórico, o Finado existe desde o século II, alguns cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Também o abade de Cluny, Santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. Desde o século XI os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia aos mortos. No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado em 2 de novembro, porque 1 de novembro é a Festa de Todos os Santos.

João Adriano Silva/ Nordeste1

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