Bebedeira vira combustível para hits sertanejos; cantores negam mau exemplo

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Ela já foi cantada com humor por Inezita Barroso em “Moda da Pinga”. Serviu para Sérgio Reis afogar as mágoas em “Pinga ni Mim”. Foi rogada em poesia por Tonico e Tinoco em “Mardita Cachaça”. Hoje, tempo em a moda sertaneja deu lugar à universitária, a bebida vem voltando ao papel de protagonista na música popular.

Uma rápida espiadela nas faixas mais tocadas no país revela versos para lá de sugestivos: “De porre muito louco fui parar no hospital”, canta Gusttavo Lima em “Não Paro de Beber”. “Trabalhar amanhã é o cacete/ Hoje é só farra, pinga e foguete”, reforça a dupla Bruno & Barretto na festeira “Farra, Pinga e Foguete”. “Sabe que sou viciada e bebo dobrado ouvindo um modão”, entoa a dupla feminina Maiara & Maraisa em “10%”.

O contexto das letras mudou. Se antes a “cana” era usada como fio condutor em causos e histórias do campo, agora ela bate ponto nas baladas, quer curtição, um dos temas mais caros à nova geração sertaneja, que invade versos, shows e videoclipes.

Assunto sempre espinhoso, a retomada etílica levanta questões. Falar que você saiu para encher é apologia ao alcoolismo? Incentiva jovens a passarem da conta na noite? Ou isso não passa de um discurso moralista, já que bebida e drogas em geral –ilegais ou não– sempre habitaram o universo do entretenimento e da música popular?

“A mídia tem muito poder. E é um poder subjetivo. Indiretamente, essas músicas afirmam que a bebida é legal, atraente, e que existe um lado bom no ato de beber. Isso acaba incentivando o jovem a aceitá-la”, diz ao UOL a psicóloga Marisa Morais, especialista em casos de dependência química. “Mas isso não quer dizer que, a partir de uma música, alguém vai passar a usar mais ou menos bebida. A dependência vem de vários fatores, como o ambiental, o cultural. Sozinho, o álcool não tem esse poder.”

UOL

Álcool é tema recorrente no sertanejo.

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