Dilma diz que impeachment é atalho para o poder sem voto popular

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A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (7) que a justificativa para tentar a abertura de um processo de impeachment é a tentativa de se chegar à Presidência da Repúblicasem o voto popular. A presidente discursou durante a cerimônia de abertura da 10ª Conferência Nacional de Assistência Social.

Na última quarta-feira, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, autorizou a abertura do processo de impeachment da presidente com base em pedido dos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína e Paschoal. Eles alegam que a chefe do Executivo descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal ao ter editado decretos liberando crédito extraordinário, em 2015, sem o aval do Congresso Nacional.

“Não há nenhuma justificativa para que isso [impeachment] ocorra, exceto aqueles que acham que tem um atalho para chegar à presidência da República que não é o voto popular”, declarou a presidente.

Dilma disse ter forças para lutar contra os que querem “o pior”. “Quero dizer que nós vivemos um tempo muito estranho. É um tempo em que tem muitos que lutam como vocês diuturnamente para que esse país seja cada vez um pais mais desenvolvido. […] E há um pequeno grupo que acha que o ‘quanto pior, melhor’ é o melhor caminho. O quanto pior pra nós, quanto melhor pra eles. Mas nós temos força suficiente para lutar contra isso”, disse.

“Os golpes não constroem harmonia, a unidade, nem constroem a pacificação necessária para os países e os povos nações avançarem. Pelo contrário, geralmente o que os golpes constroem é o caos e deixam feridas e marcas profundas”, completou.

Ao chegar para o evento, a plateia, formada por delegados da conferência e convidados, entoou gritos de apoio à presidente, como o tradicional “Olê, olê, olá! Dilma, Dilma!” e “não vai ter golpe”. Também foi possível, no entanto, ouvir algumas pessoas vaiando a presidente quando ela foi anunciada pelo mestre de cerimônias.

No discurso, Dilma também afirmou que o país precisa ser unido e unificado “dentro da legalidade”. “Tenho certeza que temos de unir e unificar o país, que é mais forte que tudo. Mas nos só conseugimos unificar e unir o país dentro da legalidade, dentro da democracia, dentro do estado de direito”, disse.

10ª conferência
No evento, a presidente afirmou que a conferência de assistência social em Brasília marca os dez anos do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e que os participantes do evento representam os 36 milhões de brasileiros que saíram da pobreza extrema nos últimos 13 anos e os 40 milhões que ascenderam à classe média.

Dilma afirmou que foi nos governos dela e do ex-presidente Lula que houve a “escolha deste caminho” e que, por isso, hoje o governo é “cobrado”.

“Neste processo, ao qual nós não fomos empurrados para ele, nós não chegamos nele por caso, nós escolhemos seguir este caminho. Nós escolhemos uma política e, podem ter certeza, essa escolha, mais cedo ou mais tarde, ela é sempre cobrada. Por isso, hoje nós somos cobrados. Muito mais pelos nossos acertos com o Bolsa Família, com o Minha Casa, Minha Vida e com todas as nossas políticas sociais”, disse.

Segundo a presidente, é preciso comemorar porque faz 13 anos que o governo federal teve a “competência” de criar os “primeiros passos” para que o país tivesse políticas sociais adequadas ao seu tamanho e para acabar com a “vergonha” de ser um dos países mais desiguais do mundo.

Zika vírus
No fim de seu discurso, Dilma também citou a “grande luta pela frente” para combater o Zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, que é apontado como o causador do surto de microcefalia registrado em vários estados do Nordeste, principalmente em Pernambuco.

“Vocês serão essenciais porque esta luta tem como exército milhões de brasileiros. […] Então, peço a vocês que participem da conscientização das pessoas porque não é possível deixar água parada porque aumenta a contaminação”, disse a presidente.

Presidente também afirmou que golpes não constroem harmonia, mas caos.

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