Corrida por vacina antizika já mobiliza setores acadêmico e farmacêutico

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Mais uma vez o mundo clama para que cientistas e empresas farmacêuticas criem rapidamente uma vacina contra uma doença viral que, no caso mais recente, poucas pessoas tinham ouvido falar até algumas semanas atrás.

Em teoria, não deveria ser muito difícil produzir uma reação imunológica contra o zika vírus, que está se espalhando pelas Américas, mas criar um produto seguro, eficaz e de pronta entrega que proteja mulheres e meninas em risco não é fácil na prática.

Para começar, cientistas de todo o mundo sabem ainda menos sobre o zika do que sabiam sobre o vírus ebola, que causou uma epidemia jamais vista na África Ocidental no ano passado.

Devido ao seu alto índice de mortandade, o ebola foi tema de pesquisas sobre bioterrorismo, o que forneceu pelo menos um argumento a favor da busca acelerada por uma vacina. Desta vez, o vácuo de conhecimento é mais preocupante.

Só há 30 menções ao zika em pedidos de patentes – são 1.043 para o ebola e 2.551 para a dengue, de acordo com o Índice Mundial de Patentes Thomson Reuters Derwent. E só foram publicados 108 estudos de destaque sobre o zika desde 2001, contra mais de 4 mil a respeito do ebola, como revela a plataforma digital de pesquisa Web of Science.

Ainda assim, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, a Agência de Saúde Pública do Canadá e o Instituto Butantan, em São Paulo, iniciaram trabalhos com candidatos em potencial a uma vacina para o zika, e várias empresas de biotecnologia também estão no páreo.

Entre elas está a NewLink Genetics, que ajudou a desenvolver a primeira vacina bem-sucedida contra o ebola junto com a Merck.

Já há ao menos uma grande fabricante de vacinas: a Sanofi informou na terça-feira (2) que vai lançar um programa para criar uma vacina contra o zika, um dia depois de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter declarado a doença e seus supostos elos com malformação cerebral de recém-nascidos uma emergência de saúde pública mundial.

A japonesa Takeda Pharmaceutical também disse, nesta quarta-feira (3), que montou uma equipe para investigar como pode ajudar a criar uma vacina, e a GlaxoSmithKline (GSK) está finalizando estudos de viabilidade para determinar se sua tecnologia de produção de vacinas pode servir.

A infecção do zika é tão amena que, na ampla maioria dos casos, suas vítimas não sabem estar infectadas, por isso é improvável que este grupo de pacientes em potencial precise ou queira ser imunizado.

O grupo alvo crucial são as mulheres que podem estar grávidas, já que a maior ameaça que se suspeita na doença é sua possível conexão com a microcefalia.

G1

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