Pesquisadores da PB analisam genes em casos de gêmeos discordantes para microcefalia

Pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba, em colaboração com outros 30 laboratórios do país, estão tentando descobrir o papel do genoma (conjunto de todos os genes de uma espécie de ser vivo) no desenvolvimento da microcefalia em fetos expostos ao Zika vírus, em regiões com alta incidência do mosquito Aedes aegypti. A pesquisa está sendo coordenada pela geneticista Mayana Zata, do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo.

A professora Silvana Santos, geneticista da UEPB, explica que o foco de interesse da pesquisa corresponde aos casos de gêmeos discordantes para a microcefalia. Apesar de ambos os fetos terem tido contato com o Zika vírus ao longo do desenvolvimento, um deles nasceu com microcefalia enquanto o outro não. Essa discordância reflete alguma diferença genética entre os indivíduos que protege, por assim dizer, o cérebro do ataque do vírus.

Para identificar essas variantes genéticas protetoras, os pesquisadores da UEPB, em parceria com outros da USP, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e outras instituições do Nordeste, realizaram a coleta de material biológico envolvendo mais de 60 crianças com microcefalia e casais de gêmeos. Na Paraíba, as ações de pesquisa foram realizadas na Fundação de Apoio à Pessoa com Deficiência (Funad), em João Pessoa.

Thalita Figueiredo, pós-doutoranda do Mestrado em Saúde Pública da UEPB, que também participa da pesquisa, explica que a partir das amostras de sangue coletadas serão desenvolvidas células em laboratório. Com isso, será possível estudar as diferenças em relação às sequências dos genes, como também diferentes padrões do DNA e de expressão dos genes, ou seja, se alguns genes estão inativos ou mais ativos em quem desenvolveu microcefalia quando comparados aos indivíduos que não foram afetados pelo vírus.

Por se tratar de uma condição relativamente rara, com incidência estimada em 1 em 250 mil na Holanda, a elevada incidência de bebês com microcefalia no Nordeste brasileiro tem chamado a atenção de pesquisadores de todo o mundo. Os indivíduos com microcefalia apresentam um cérebro de tamanho reduzido, o que acaba causando perda de capacidade cognitiva.

A microcefalia pode ser primária, causada por alterações em genes, ou secundária, quando está associada à infecção de vírus, como o zika ou citomegalovírus. As infecções durante a gestação ativam diversos processos de inflamação e levam à morte das células atingidas. Entretanto, há uma grande variação de respostas aos agentes virais, devido à diversidade genética dos seres humanos. Por isso, a suscetibilidade das crianças ao vírus pode variar dependendo das variantes presentes no genoma.

O trabalho de laboratório será desenvolvido por Uirá Souto Melo, ex-aluno do curso de Ciências Biológicas da UEPB que está fazendo doutorado na USP. Mais informações sobre esse trabalho de pesquisa podem ser obtidas neste link. As informações são do Portal Correio.

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