Poluição em mangues reduz peixes em rios, reclamam pescadores da PB

0
Imagem ilustrativa

A quantidade de peixes nos rios de João Pessoa e Cabedelo tem caído nos últimos anos e, segundo os pescadores da região, a causa da escassez é a poluição nos manguezais, que teria afetado a biodiversidade. De acordo com o biólogo George Miranda, os mangues são áreas de diversidade ambiental e a falta de cuidados pode ser um risco para a cadeia produtiva dos municípios.

“Os manguezais têm uma série de serviços ambientais e inclusive servem como área para reprodução de vários peixes. São ambientes extremamente produtivos e muitos recursos naturais que consumimos no cotidiano, como mariscos e ostras, são tirados de lá. A preservação do mangue tem uma importância ambiental e também uma importância socioeconômica”, explica Miranda.

Segundo o biólogo, a poluição dos rios nas áreas urbanas tem feito com que o lixo jogado acabe ficando preso no mangue e com isso prejudicando a biodiversidade no mangue, o que reflete na queda da reprodução dos peixes. “É preciso uma maior interação entre os governos municipal e estadual e as Organizações Não-Governamentais para manter estes ecossistemas”, comenta.

O pescador Cosme de França mora há 30 anos na comunidade Porto do Capim, no bairro do Varadouro, em João Pessoa, ele explica que sempre viveu da pesca no Rio dos Frades, no trecho em que ele se encontra com o Rio Sanhauá, mas que nos últimos anos tem sido difícil se manter da profissão.

“Eu cheguei aqui na década de 1980 e desde que cheguei eu sempre pescava aqui, eu e muita gente. Sempre encontrávamos os peixes por aqui sem precisar ir para longe. Hoje a gente tem as armadilhas mas estão dentro de casas, paradas, porque não adianta jogar dentro d’água porque não tem mais nada aqui para a gente pegar”, explica.

De acordo com França, o problema da falta de peixes se deve a poluição do rio, que tem feito a cor da água mudar e o mau cheiro aumentar. “Tem dias que a água está o mesmo que piche, de tão escuro. Preta, preta mesmo. E o mau cheiro aqui, principalmente quando o dia vai amanhecendo, ninguém aguenta”, comenta.

No município de Cabedelo, a situação é semelhante. Segundo o presidente da associação dos pescadores do bairro do Renascer, José Gomes da Cruz, a quantidade de pescado caiu pela metade. “Antes a gente ia para o mar e passava de seis a oito dias e trazia de 300 a 400 quilos de peixe. Agora a gente passa em torno de dez dias e sai só 150 quilos, 200 quando batalhamos muito”, diz.

O secretário de Meio Ambiente e Turismo de Cabedelo, Walber Farias, informou que nas áreas de mangue da cidade é feita a catação manual do lixo jogado, e que equipes da prefeitura fiscalizam o derrame de esgoto e lixo na maré, quando recebem denúncias. Ele informou também que por causa da falta de moradia, existem muitas ocupações irregulares na cidade, e que elas são difíceis de combater. Já em João Pessoa, o chefe de fiscalização da Secretaria de Meio Ambiente, Allisson Cavalcante, disse que as equipes trabalham diariamente, e que foram aplicadas multas por corte de vegetação em áreas de mangue. As informações são do G1.

Você também pode gostar

Comentários

Carregando...