‘O dízimo traz benefícios espirituais e materiais’, afirma Padre Demétrio

Pe. Demétrio é coordenador da Pastoral do Dízimo na Diocese
de Guarabira (Foto: Arquivo Pessoal)
Nos últimos anos a Pastoral do Dízimo tem crescido bastante na Diocese de Guarabira. Muito se deve à atuação do Padre Demétrio Morais, atualmente vigário de Pirpirituba e Sertãozinho.

O Padre Demétrio tem percorrido o Brasil de Norte a Sul, fazendo palestras as quais abordam a importância do dízimo para o crescimento das comunidades. Ele disse que os católicos tem se sensibilizado cada vez mais à cerca da espiritualidade em torno do dízimo.

A contribuição dada pelos fi[eis tem sido fundamental para financiar a evangenlização em seurs diversos aspectos, assim como na ajuda fraterna aos mais empobrecidos na paróquias.

Adiante uma entrevista que o mesmo concedeu, originariamente, ao jornal “O Semeador”, órgão oficial da Arquidiocese de Maceió.

1. Como surgiu o interesse do senhor em trabalhar de forma tão dedicada à pastoral do dízimo?

Fui ordenado padre no dia 02 de fevereiro de 2008, e designado no dia 12 de fevereiro do mesmo ano, para a Área Pastoral Nossa Senhora da Conceição em Sertãozinho-PB, uma das menores cidades da Diocese de Guarabira, que como vemos ainda não era paróquia. Iniciando os trabalhos pastorais deparei-me com a escassez de recursos para favorecer evangelização, e por um breve período fui obrigado pelas circunstâncias a motivar vários meios de captação de recursos, tais quais: leilões, bingos, rifas, quermesses, campanhas de 2 R$, e o antigo sistema de taxas, etc. No entanto, aos poucos fui percebendo que esta forma de angariar recursos representava um entrave para evangelização. Os agentes de pastorais se mostravam pouco motivados, as pessoas da comunidade já estavam cansadas de tantas campanhas, leilões e bingos. A festa da padroeira havia perdido o seu sentido primordial, deixado de ser momento extraordinário de evangelização para tornar-se período de intensificação de campanhas e vendas. E foi assim, que ao término da festa da padroeira do ano de 2008, após uma semana intensa de promoções para conseguir meios para evangelização, que percebi que devia tomar uma decisão radical. Reuni as forças vivas da comunidade e afirmei que daquele momento em diante não iríamos mais promover outra forma de arrecadar fundos, que não fosse o dízimo. “Quem quiser ajudar a sua Igreja evangelizar torne-se dizimista”, com esta frase iniciamos uma nova campanha que perdura até os dias de hoje, e que graças a Deus e a generosidade das pessoas nos fez dar um salto de qualidade em nossa ação missionária.

2. Como foi a mudança organizacional desta pastoral em sua paróquia?

Quando cheguei em Sertãozinho-PB, o dízimo já havia sido implantado, e funcionava relativamente bem, muito embora os resultados fossem tímidos. Depois de tomar a decisão radical de não mais promover outro meio de captação de recursos, que não fosse o dízimo, eu pessoalmente comecei a visitar os dizimistas, tomei em mãos um pequeno caderno e um lápis, e de casa em casa passei fazendo o recadastramento dos dizimistas, pois ainda não tínhamos um cadastro atualizado. As visitas foram extraordinárias, em cada rua que chegava, as pessoas ficavam admiradas em ver que o padre estava visitando, e convidavam-me para ir até suas casas, de modo que, muitas acabaram se tornando dizimistas. Contudo, duas realidades chamaram-me a atenção durante as visitas: constatei que boa parte das pessoas que já estavam engajadas em pastorais, grupos, serviços e movimentos, ainda não eram dizimistas; e que, um número considerável de pessoas que já devolviam o dízimo não haviam despertado, para o valor inestimável da Eucaristia. Estas duas constatações tornaram-se linhas de ação, e comecei a conscientizar as pessoas que já estavam engajadas, para que percebessem que ninguém está dispensado do dízimo, nem mesmo o padre, ou o bispo, e que todos, além de disponibilizarem seus talentos e habilidades, devem dar a sua contribuição financeira, em favor da evangelização. A segunda linha de ação consistiu em ajudar as pessoas que já eram dizimistas a descobrirem, ou redescobrirem a importância de virem participar da missa e pessoalmente devolverem o dízimo diante do altar, no momento do ofertório, louvando e agradecendo a Deus por todas as bênçãos e graças recebidas.

3. Quais os feitos mais significativos que o senhor pode nos narrar?

Os benefícios são incontáveis: a começar do número de pessoas envolvidas na Pastoral do Dízimo, hoje temos 110 missionários que visitam todas as famílias católicas e não somente os dizimistas, ao menos uma vez no mês; maior sentimento de pertença entre os batizados que passaram a se sentir responsáveis pela evangelização; na dimensão social a destinação de doações para pessoas carentes (custeios de medicamentos e reformas de casas); aumento na participação dos fiéis nas celebrações litúrgicas, sobretudo, na missa do dízimo; maiores investimentos nas pastorais, movimentos e serviços. Autonomia da paróquia na manutenção de sua própria estrutura (construção de capelas, aquisição de um carro de som, etc).

4. Como aprimorar o trabalho da pastoral do dízimo em uma paróquia? Quais os passos para um crescimento dessa pastoral?

A proposta para aprimorar qualquer pastoral é aquela mesma de Jesus: a missão. Embora os métodos sejam importantes, o que conta mesmo é a disposição para missão – ir ao encontro do outro, faz toda diferença. E é o que precisamos fazer: visitar. A paróquia que deseja ver resultados pastorais deve fazer das visitas missionárias a sua principal ação de evangelização. Para tanto, o primeiro passo é conscientizar para missão. O método que sugiro para o trabalho é aquele mesmo que encontrei implantado em Sertãozinho-PB, e que passei a chamar de “Método Missionário do Dízimo”, porque tem como principal objetivo realizar visitas mensais permanentes a todos os católicos conscientizando-os a se sentirem corresponsáveis pela evangelização. Para implantação deste método três momentos são imprescindíveis: Formação para os missionários; Missa do Envio dos Missionários e Missa do Dízimo. Portanto, se faz necessário criar a Equipe de Coordenação Paroquial do Dízimo. Identificar um bom número de pessoas que tenham o perfil missionário para participarem de uma formação em preparação para a missão. Dividir a paróquia em setores e fazer o levantamento da quantidade de ruas por setores. Designar para cada uma das ruas, dois ou mais missionários, de acordo com o número de residências. Preparar com antecedência os envelopes para serem entregues a todos os fiéis católicos, que serão orientados a virem devolver o dízimo durante a missa, no momento do ofertório, todo segundo domingo de cada mês. Valorizar e dar visibilidade aos missionários confeccionando as camisas e quem sabe mochilas, que serão usadas durante as visitas. Preparar a Missa do Dízimo envolvendo o maior de número de pessoas possível. Nas paróquias onde o método já foi implantado é somente incrementá-lo: planejamento das atividades; criar a equipe de coordenação paroquial do dízimo; formação mensal para todos os missionários; planejar e realizar a Semana Missionária do Dízimo, que deve ser encerrada com o Encontrão Paroquial do Dízimo; realizar manhãs de espiritualidade para os missionários; e por fim, a confraternização anual.

5. Em sua opinião, o católico é ciente do valor do dízimo em sua vida?

Infelizmente falta uma maior conscientização para que as pessoas entendam que o dízimo é uma prática bíblica, que pode ser atualizada para nossos dias com benefícios espirituais e materiais extraordinários. O dízimo é um sinal de amor a Deus, pois nos ajuda a “dar a Deus o que é de Deus”(Mt 22, 21), nós somos de Deus, tudo quanto existe é dom de Deus. Quando devolvemos o dízimo de forma consciente estamos dizendo para nós mesmos que nosso maior tesouro não é o dinheiro, ou os bens que possuímos. Com o dízimo podemos dar sinais de quem é, e de onde está o nosso tesouro: “pois onde está o teu tesouro aí estará o teu coração” (Mt 6, 21), se nosso tesouro for Deus, nosso coração também estará n’Ele. A Sagrada Escritura, também nos ensina que nosso coração não pode estar divido, apegado aos bens materiais:“Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6, 24). No entanto, Deus não precisa do nosso dízimo, quem necessita dele é nossa comunidade: a Igreja (para dar continuidade sua ação salvífica e libertadora), por isso, o dízimo é sinal também de amor a comunidade e ao próximo, tendo em vista, que uma de suas finalidades é a assistência aos necessitados – órfãos e viúvas do nosso tempo. E mesmo que Jesus só tenha feito referência ao dízimo uma única vez (Mt 23, 23), basta ter sensibilidade para perceber que ele foi bem mais exigente. No regime da graça, sob a Nova Aliança, não basta dar a décima parte, é preciso ir além: “portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!” (Lc 14, 33). O discípulo do Ressuscitado é convidado a assumir uma nova relação com os bens materiais: “Viver com os bens que passam, de tal modo, a abraçar os que não passam” (Missal Romano).

6. Quais as maiores dificuldades narradas pelos membros da Pastoral do Dízimo em relação às suas atividades?

Uma das principais dificuldades é o medo do novo, da novidade. Quando passamos muito tempo fazendo algo de um jeito, tememos mudar a forma de como fazemos. O medo, nos faz ser pessimistas com todo e qualquer tipo de inovação. Outra dificuldade é o comodismo que atinge a todos, e impede que vivamos o mandato de Jesus: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem meus discípulos”(Mt 28, 19). No entanto, as graças provenientes da missão, superam as dificuldades. Os missionários voltam sempre edificados pelos testemunhos das pessoas, que ao partilhar suas alegrias e angústias, exprimem uma fé forte e uma esperança firme. Quantos gestos marcantes que alimentam nossa fé, como a da senhora desempregada, que tem um filho pequeno, que sofria de asma, e que precisava comprar um medicamento que custava 100 R$. E que sem ver a melhora de seu filho, decidiu que não iria mais adquirir o medicamento. E que passaria a devolver os 100 R$ como dízimo. Para o espanto de todos, a criança ficou curada e não precisou mais daquele medicamento. Não quero com isto alimentar uma prática supersticiosa, ou levá-los a imaginar que com o dízimo podemos comprar saúde, ou, o que quer que seja, no entanto, não podemos deixar de dar estes testemunhos.

7. O que o senhor diria para um católico que ainda não é dizimista?

Aos católicos que não são dizimistas sempre faço 2 perguntas: vocês são felizes por serem católicos? E eles sempre respondem: Sim!; vocês querem que Igreja continue evangelizando? E, mais uma vez, respondem: Sim! Então, eu continuo… como podemos afirmar que somos felizes por ser católicos, que queremos que nossa Igreja continue evangelizando, sem sentir-nos responsáveis pela evangelização, sem darmos nossa contribuição efetiva, para que, outras tantas gerações possam provar da mesma alegria que estamos provando em ser católicos? Prover os meios para evangelização é tarefa de todo e qualquer católico. Infelizmente, muitos de nós ainda não fizemos uma verdadeira experiência de amor com Deus. Em Ml 3, 6-12, somos desafiados pelo próprio Deus: “voltai para mim e eu me voltarei para vocês”, e também: “trazei o dízimo integral (…) fazei essa experiência comigo, para ver se não abrirei as comportas do céu e não derramarei sobre vós minhas ricas bênçãos de fartura”. Exorto você que ainda não é dizimista, a tomar posse dessa palavra, não tenha medo de fazer essa experiência de amor, aprenda a confiar-se à Providência Divina, e nada te faltará. Temos um Deus que é todo amor, que é todo compaixão, que não se deixa vencer em generosidade jamais. Ele já nos deu inúmeras provas de seu amor por nós: chamou-nos a vida; enriqueceu-nos de talentos e habilidades, aquilo que sabemos fazer, ou que estamos aprendendo a fazer; deu-nos uma família; presenteou-nos com nossa casa comum – o planeta terra (com o ar que respiramos, o sol que nos aquece, a água que nos refresca, a beleza da natureza com toda sua variedade); e a maior de todas as provas de amor – a total doação de seu Filho por nós e para nossa salvação: “Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único” (Jo 3, 16). Diante desta descoberta, quando passamos a enxergar o amor de Deus presente em nós, já não conseguimos ser mais egoístas, individualistas ou escravos do consumismo.

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