O amor para quem erra

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    • Pr. Antônio Júnior
      Pastor da 1ª Igreja Congregacional de Guarabira
      oapologista@yahoo.com.br

Geralmente quem acerta, quem chega em primeiro, quem é sempre vencedor, é sempre amado, admirado, idolatrado. Quando você está no topo nunca ficará sem admiradores, sem tapas nas costas e sem abraços vazios. Os fãs adoram idolatrar seu igual. Muitas vezes por ele está no lugar que se deseja estar. Ou simplesmente porque precisamos de alguém para nos espelharmos. Para que sirva de modelo, um padrão para ser alcançado ou simplesmente contemplado. Fazendo isso nos esquecemos de quão medíocre somos. Ou de quão vazio a alma humana é. Gostamos dos holofotes, se não for em nós, que pelo menos seja no outro. Contemplamos o espelho do nosso ego.  É fácil amar os vencedores.

Difícil é amar quem erra, quem comete falhas, quem chega por último. Quem reconhece suas limitações e pecados. Àquele que frustra suas expectativas. Quem tem a consciência de que é pó. De, apesar de tanto se esforçar, nunca chegará em primeiro lugar na competição da vida, na corrida dos que querem ser sempre ovacionados. Muito difícil tentar satisfazer as expectativas dos outros, pelo simples fato de viver pelo outro e não por si mesmo. Será que só quem acerta, quem é sempre vencedor ou perfeito, merece ser amado?

Os homens só amam quem lhes dá alegria e supre todas as suas expectativas. E geralmente as expectativas são irreais. No mínimo, inatingíveis. Exige-se muito de quem só pode dar pouco. Mas o pouco é insuficiente. Sempre será insuficiente. Sempre querem mais e mais. São sanguessugas da alma alheia. E se você fizer noventa e nove por cento, mas errar em um por cento, isso já basta para ser vituperado, massacrado e julgado sem apelações. Ou como diria o grande poeta Augusto dos Anjos: “Somente a Ingratidão  esta pantera  foi tua companheira inseparável! (…) O beijo, amigo, é a véspera do escarro, a mão que afaga é a mesma que apedreja.

O julgamento humano geralmente é imperfeito. É como um cego que julga um surdo por este não poder ouvir. O que a gente não percebe é que as necessidades dos outros são infindáveis. Se você tentar suprir a todos sempre, sua alma é que morrerá de inanição. E quando você tenta agradar a todo mundo, no final, você sempre será o mais prejudicado.

Ainda bem que o amor de Deus é diferente. Deus nos ama apesar de quem somos e dos erros que cometemos. Ele sabe que somos pó. Ele sabe que somos humanos. Ele sabe que nunca seremos cem por cento em nada. Somos eternamente seres contraditórios. Somos dualidades. Como o sol e a lua. O dia e a noite. Em todos nós tem coisas boas e ruins. Cada cristão é ao mesmo tempo santo e pecador. Ora acertamos, ora erramos. Mesmo assim somos metades quem se completam. Errar é condição humana. Só Deus não erra. Só Ele é perfeito. O amor dEle é aquilo que nos faz andar no chão da vida, pisando nas flores e espinhos que aparecem em cada esquina. E em cada momento Ele está segurando em nossas mãos e nos oferecendo seu colo para podermos descansar. Sem julgamentos, sem pressões, sem condenações impostas. Como um pai carinhoso que, apesar das falhas dos filhos, sabe o que é amar incondicionalmente. Ainda bem…

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Será que só quem acerta, quem é sempre vencedor ou perfeito, merece ser amado?

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