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Propaganda é a alma do negócio, mas qual o seu limite?

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Não é surpresa alguma que governos, sobretudo os impopulares, abusem da propaganda para vender uma verdade que, por seus motivos, não é bem quista por parte da sociedade.

O governo de Michel Temer, por exemplo, segue dois caminhos: o primeiro deles é “cortar na própria carne” dos outros, já que põe nas costas do trabalhador brasileiro a responsabilidade pela irresponsabilidade daqueles que afundaram o país na lama com erros crassos no manejo econômico.

Por outro lado, como um bom “morde e assopra”, busca vender a ilusão através de meias verdades de que as mudanças serão para o bem do povo. Ah, o povo! O que, cá entre nós, não merece confiança porque, como o governo anterior, o atual é alvo de denúncias de corrupção dos mais diversos tipos, além de ser formado por políticos que agem em favor de interesses particulares em detrimento do bem-estar público. Exemplos não faltam.

Disposto a congelar investimentos e deixar o trabalhador sem saber o que é aposentadoria, o governo Temer não pode contar com a imagem de tiazona de Dilma Rousseff, muito menos com a de pai dos pobres e líder carismático do ex-presidente Lula.

A solução encontrada, então, foi a de injetar gordas verbas de publicidade, especialmente nos meios de comunicação predispostos a propagar aos quatro ventos o que quer que seja. E isso acontece porque o interesse de informar fica em segundo plano, a revista Veja que o diga com seu histórico de manipulações. Pagando bem, que mal tem?

Na contramão de seus discursos austeros, de que cortes são necessários, Michel Temer soube mais que dobrar os gastos federais com publicidade nos últimos meses. É o pagamento indireto para aqueles que escolheram seu lado e ajudaram a desestabilizar o país com a produção e veiculação de notícias isentas de verdades.

Mais recentemente, o governo procurou Sílvio Santos, o maior ícone da TV brasileira, na tentativa desesperada de vender suas reformas, além de Ratinho, um dos maiores comunicadores do país, como porta-vozes dos novos tempos. E que tempos!

O resultado dessa aliança inusitada foi a divulgação de chamadas curtas, com cerca de dez segundos, e ameaçadoras durante a programação do SBT. O que são as mensagens subliminares da Jequiti perto desse terrorismo? Só sei de uma coisa: não foi de graça.

Logo Sílvio, que semanas antes, proibiu na frente de todo o país durante a entrega do Troféu Imprensa, seus funcionários de fazer política. Para ele, só pode quem tem estação própria. Para Raquel Sherazade e Danilo Gentilli, uma pena, já que não vivemos sob uma ditatura militar para troca de favores e abrir um canal de TV não é tão fácil assim.

Ratinho, por sua vez, deve ter sido convocado como garoto-propaganda da Reforma por não gostar do trabalhador, ou ser condenado em milhares de reais por más condições de trabalho em suas fazendas é sinônimo de preocupação?

No final das contas, a verdade é enviesada pelas mais diversas ordens, sobretudo a econômica, e atingem não apenas o foro íntimo, mas, também, o institucional. O bom jornalismo anda capenga, e o ainda prevalece muda de tom de acordo com o tamanho de cheque.